Este trabalho analisa os mecanismos históricos e contemporâneos de exclusão que limitam a representação das mulheres na política institucional brasileira. Historicamente, a conquista do sufrágio em 1932 enfrentou as amarras do patriarcado, cujos reflexos se faziam notar nas restrições de voto atreladas à incapacidade civil da mulher casada, herdada do Código Civil de 1916. Embora os direitos formais tenham avançado, dados do Tribunal Superior Eleitoral e do Observatório Nacional da Mulher na Política revelam a persistência do fenômeno do “teto de vidro”, evidenciado pela severa sub-representação feminina nos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo em níveis federal, estadual e municipal, onde a ocupação de cadeiras estagna abaixo dos vinte por cento. Diante disso, examina-se o papel das plataformas digitais como ferramentas de ampliação dos espaços de fala e democratização do debate público, capazes de romper com o monopólio da verba e da chancela partidária tradicional. Contudo, amparado no pensamento de Beauvoir, constata-se que o avanço tecnológico não elimina as desigualdades estruturais. Pelo contrário, conforme aponta Mona Lena Krook, a violência política de gênero manifesta-se de forma multifacetadas como ataques virtuais e estigmatização, funcionando com mecanismos de silenciamento e desestímulo à presença feminina. Conclui-se, assim, que o ambiente digital, embora promissor, engendra novas modalidades de exclusão, reafirmando que a disputa pela ocupação legítima das esferas de poder permanece como o desafio central para a efetivação da cidadania plena das mulheres no Brasil.
DATA: 2026
AUTOR: Carlos Manoel Alves do Nascimento
ORIENTAÇÃO: Diego Araújo Coutinho
TIPO DE PUBLICAÇÃO: Artigo
ÁREA DE CONHECIMENTO: Ciências Sociais – Direito