O avanço da Inteligência Artificial (IA) tem provocado transformações significativas na sociedade contemporânea, impactando diferentes áreas profissionais, econômicas e culturais. No campo da publicidade e propaganda, essas mudanças tornam-se evidentes especialmente nos processos de criação de conteúdo, tradicionalmente associados à criatividade, a sensibilidade e a inovação. Nesse contexto, a produção publicitária passa a incorporar ferramentas generativas capazes de otimizar etapas, acelerar fluxos de trabalho e personalizar mensagens para diferentes públicos. A partir desse cenário, esse presente trabalho tem como objetivo analisar os impactos da inteligência artificial na publicidade por meio de uma análise comparativa entre a campanha original Holidays Are Coming, da Coca-Cola, lançada em 1995, e sua recriação desenvolvida em 2024 com o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa e descritiva, utilizando revisão bibliográfica e análise comparativa entre a campanha original e sua versão recriada com inteligência artificial. Para isso, foram adotados critérios metodológicos a análise da originalidade, da coerência narrativa, da expressividade estética e dos indícios de padronização algorítmica presentes nas campanhas, tomando como parâmetros a composição imagética, os elementos sonoros, a construção discursiva, os efeitos simbólicos produzidos pela narrativa publicitária e a relação entre inteligência artificial, repertório cultural e experiência interpretativa do espectador. Os resultados apontam que, embora a inteligência artificial amplie as possibilidades criativas e contribua para maior agilidade e eficiência na produção de conteúdos, também levanta questionamentos sobre a autenticidade, a originalidade e a possível padronização das mensagens publicitárias. Além disso, observa-se a existência de reações negativas por parte da audiência, especialmente diante da percepção de artificialidade ou perda de identidade nas peças produzidas. Dessa forma, conclui-se que a IA atua como uma ferramenta de potencialização do processo criativo, mas não substitui a sensibilidade humana, sendo fundamental o papel do publicitário como mediador crítico entre tecnologia, criação e percepção do público.

DATA: 2026

AUTOR: Dellis Bezerra da Silva

ORIENTAÇÃO: Fabiano Raposo Costa

TIPO DE PUBLICAÇÃO: Artigo

ÁREA DE CONHECIMENTO: Ciências Sociais – Publicidade

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